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Sociedade de Combate Histórico, Estudo e Recriação Medieval em Armas, voltada para estudantes do período medieval em Brasília e região.
quarta-feira, 4 de julho de 2012


Treinamento de Atributos Medievais a partir do Mestre


No seu livro de 1410, Flos Duelatorum (A Flor da Batalha) Fiore nos conta que em seu tempo ele conheceu “100 homens que se intitularam mestres, apesar de que se suas habilidades fossem combinadas você não teria nem ao menos 4 bons estudantes, muito menos um Verdadeiro Mestre”, e que ele escreveu seu livro no final de sua vida devido ao fato de simplesmente não haver ninguém ao seu redor que era tão habilitado e capaz, ou que conhecia tantas técnicas como ele. Se você estudar os manuais antigos poderá verificar a verdade nessa afirmação. Nenhum outro manual mostra o mesmo número de técnicas com tamanha diversidade de armas. Se você juntar todos os manuais de Talhoffer juntos poderia ter um volume igual ao de Fiore, mas nenhum manuscrito por si mesmo poderia afirmar ser à altura de seu manual.

Fiore nos conta que “Algumas pessoas irão pensar que eu misturei técnicas úteis e inúteis, mas ele cometeria um grande erro, pois apenas descrevi as que vi, usei ou criei, e omiti as técnicas inseguras”. Essas são as mesmas técnicas que ele usou para matar vários homens ao guerrear, e em um número de combates pessoais até a morte, sem algumas das técnicas mais “especulativas” de manuais posteriores, onde os autores talvez estivessem mais distantes desse tipo de vida brutal.

Mais do que meras técnicas estão contidas nesse manual, e Fiore nos dá instruções na atitude mental apropriada e treinamento dos atributos necessários para ser efetivo em combate. Esse aspecto de seu trabalho não foi explicado apropriadamente, creio eu, e muitas pessoas olham para o trabalho magistral de Fiore apenas como uma fonte de “truques” individuais que, sem a atitude e atributos necessários, podem ser impraticáveis. Em um esforço para esclarecer esses aspectos vamos cobrir algumas das idéias do texto de Flos Duelatorum.

A primeira coisa que considero importante entender são suas 7 regras da Arte do Enlaçamento(corpo-a-corpo). Ele nos diz apenas que luta corpo-a-corpo requer 7 regras. Essas são dadas como um grupo de Palavras Chaves – Força, Velocidade de Braços e Pernas, Agarres, Quebras, Amarrações, Golpes e Injúrias. Fiore nos aconselha a praticar essas técnicas cuidadosamente ao treinar mas não se conter em nada numa luta real pela sua vida. “Nenhum homem deve enfrentar seu inimigo com gentileza.”
Além de listar as Palavras chaves, Fiore não nos dá nenhum conselho sobre o que elas representam, ou como treinar essas 7 Regras. Com essa finalidade, irei descrever cada Regra para clareá-las, e dar uma melhor idéia do que pensar sobre como suplementar seu treino.

Força

Apesar de parecer óbvio que ser forte é uma vantagem para um combatente, muito subestimam esse fato em seu treinamento. Existe um mito antigo que “tamanho e força não importam se você tem uma boa técnica” e nas armas isso é “quase” verdade, mas o outro lado da moeda é que “se a técnica é quase igual, a probabilidade está na pessoa maior e mais forte.” Para dar um exemplo justo imagine ter que lutar você mesmo, só que dessa vez tendo 10 quilos de músculos a mais. Ainda acha que força não é vantagem?

Condicionamento é o Segundo componente de sua força de luta, pois sem ela não podemos continuar lutando. Existe um antigo ditado que diz “Fadiga faz um covarde do todos nós”.
Luta corpo-a-corpo desenvolve rapidamente condicionamento no corpo inteiro de uma maneira diferente de outras atividades aeróbicas.

A habilidade de Ferir é a terceira parte da equação da Força. Giacomo DiGrassi, um mestre italiano, disse que todo combate acaba sendo Força e Raciocínio. Ele definiu Força como sendo a habilidade de “ferir” o inimigo, e essa é a chave. É importante saber como golpear rápida e duramente, de maneira a maximizar o potencial da arma.

Velocidade de Braços e Pernas

Você deve ter um bom jogo de pernas, balance e agilidade. Você deve também ter mãos e reflexos rápidos que se coordenam com o resto do corpo. As artes Ocidentais geralmente usam uma estrutura onde a mão se move antes do corpo para facilitar a velocidade, mas quando o golpe conecta o corpo inteiro está por trás dele, através do uso coordenado de tempo e jogo de pernas. Também há uma ênfase em evitar pancadas movendo o corpo para permitir que golpes em tempo único acertem, sem ter que usar uma defesa ativa de bloqueio.

Agarres
Você deve ser capaz de agarrar o inimigo e controlar ele. Para poder aplicar as técnicas de chaves, quebras ou quedas você tem q primeiro entrar em contato com seu oponente. Nesse esforço inicial de controlá-lo, você deve saber onde agarrar e como agarrar para ter sucesso. Existem alguns pontos específicos do corpo que quando puxado, empurrado ou torcido podem manipular o oponente e tirar o seu equilíbrio ou derruba-lo. Força na pegada é uma área normalmente negligenciada.

Quebras
Uma vez que você tenha agarrado o seu oponente, existem várias maneiras de quebras seus membros. Essas são inicialmente aprendidas como chaves aplicadas nas juntas, mas são utilizadas em combate como quebras usando toda a força e peso de seu corpo contra a junta controlada. Quebras para dedos, pulso, cotovelos, ombros, pescoço e espinha são mostrados, alem de chutes como propósito de quebras joelhos, tornozelos ou os pés do oponente.

Amarrar

Você deve ter a habilidade de amarras as mãos e braços de seu oponente, dando chance de aplicar golpes, quedas ou desarmes. Isso é conhecido como “trapping hands” em algumas artes, e incluem puxões, traves, ganchos e outras técnicas de jogo estreito. Isso é integrado à habilidades de golpear e desarmar, controlando o oponente e sentindo através do tato suas intenções e contra ataques. Amarrar também incluem a habilidade de “desamarrar-se” e escapar de pegadas.

Golpes
Você deve ter a habilidade de golpear com o propósito de ferir o oponente. Isso inclui técnicas com punho, palma, antebraço e cotovelos, cabeçadas, joelhadas, chutes baixos e também técnicas “eternas” como dedo no olho, enganchar o lábio e puxar cabelos.

Ferir
Você deve conhecer os pontos os pontos vitais e as armas do corpo apropriadas para golpeá-los. Os olhos, orelhas, nariz, garganta, clavícula, esterno, plexo solar, joelhos, canela e espinha são alguns dos alvos mais comuns.


Fiore dei Liberi’s7 Rules of WrestlingMedieval Attributes Training from the Master

In his 1410 book Flos Duelatorum (The Flower of Battle) Fiore tells us that in his time he met "1000 men who would call themselves masters; though if their skills were combined, you would not have 4 good students, let alone one True Master", and that he wrote his book at the end of his life because there was simply no one around who was as skilled as he was, or who knew so many kinds of techniques. If you have studied the ancient manuals, in my opinion, you will find that he was right. No other manual shows the same amount of clear techniques with such a diversity of weapons. If you put all of Talhoffer's manuals together, you might get a tome equal to Fiore's, but no single manuscript could claim to be its equal.
Fiore tells us that “Some people will think that I mixed up useful and unuseful techniques, but he makes a great mistake as I have only described the ones I saw, used, or created, and I omitted the unsafe ones.” These were the same techniques he used to kill many men in war, and in a number of personal combats to the death, without some of the more "speculative" techniques of later manuals, where the authors were perhaps more distantly removed from this sort of brutal life.
More then mere techniques are contained in this manual, however, and Fiore gives instruction on the proper mindset and attributes training necessary to be effective in combat. This aspect of his work has not been properly explained, I fear, and many people only look to Fiore's masterwork as a source of individual "tricks" which, without the proper mindset and attributes, may be unworkable. In an effort to shed light on these aspects, then, let us cover some of ideas from the text of Flos Duelatorum.
The first thing I think important to get is the 7 Rules which are taught to us as part of the Art of the Embrace (Wrestling). He tells us simply that Wrestling requires 7 Rules. These are given as a set of Key Words - Strength, Foot and Arm Speed, Grabs, Breaks, Tyings, Hits, and Wounds. Fiore tells us to practice these techniques carefully in practice but to hold nothing back in a real fight for your life. "No man may face his enemy with kindness."
Other than listing the Key Words, Fiore gives us no advise on what this means, or how to practice the 7 Rules. To this end, I will break down each Rule so that it might be clearer, and give more of an idea what to think about doing to supplement your training.

Strength
Though it would seem obvious that being strong is a good thing for a combatant, many overlook this fact in their training. There is an old myth that “size and strength don't matter if you have good technique” and in weapons this is "somewhat" true, but the flipside to that is that "if technique is near equal, the odds are on the bigger, stronger person." To make a fair example, imagine having to fight yourself – only this other “self” has 20 extra pounds of muscle mass on you. Still don't think strength matters?
Endurance is a second component of your fighting strength, for without it we can not keep fighting. There is an old saying that “Fatigue makes cowards of us all”. Wrestling will quickly develop “whole body” endurance in a way unlike other aerobic activities.
The ability to Give Hurt is the third part of the Strength equation. Giacomo DiGrassi, a later Italian Master, said that all combat came down to Strength and Judgment. He defined Strength as the ability to "deliver hurt" to the enemy, and bottom line that is the key. It is important to know how to hit hard, fast, and in a way to maximize the weapon.

Foot and Arm Speed

You must have good footwork, balance, and agility. You also must have fast hands and reactions that coordinate with the whole body. The Western arts generally use a structure where the hand moves before the body to facilitate speed, but when the strike lands the whole body is behind it, through coordinated use of footwork and timing. There is also an emphasis on avoidance with the body to allow for single time hits to be delivered, without the need for an active blocking defense.

Grabs
You must be able to grab the enemy and control him. Before you can apply techniques of locking, breaking or throwing, you must first contact the enemy. In this initial work to control him, you must know where to grab and how to grab to get maximum effect. There are a number of specific points on the body that when pushed, pulled, or twisted can manipulate the opponent and take him off balance or throw him. Grip strength is another important, and often overlooked, area.

Breaks

Once you have grabbed the opponent, you may break his limbs in a number of ways. These are initially learned as joint locking techniques, but they are applied in combat as breaks using full body force against the captured joint. Breaks for the finger, wrist, elbow, shoulder, neck, and spine are shown as well as kicks meant to break the knee, shin, ankle, or foot of the opponent.

Tyings

You must have the ability to tie up the opponents hands and arms so that you may apply strikes, throws, locks, or disarms. This is knows an “trapping hands” in some arts, and includes arm drags, wraps, hooks and other close in techniques. This is integrated with the striking and disarming skills, so as to control the opponent and sense his counters through tactile sensitivity. Tyings also includes the ability to "untie" yourself and escape from holds.

Hits

You must have skills in striking to injure your opponent. This includes fist, palm, forearm and elbow strikes, head butting, kneeing, low kicking, as well as such “timeless” techniques as eye gouging, fish-hooking, and hair pulling.

Wounds

You must know the vital targets and the appropriate weapons of the body to strike them with. The eyes, ears, nose, throat, collarbone, sternum, solar plexus, groin, knees, shins, and spine are some of the common targets.

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